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domingo, 19 de agosto de 2018

PRA MINHA PRENDA

       
Com esses olhos graúdos,

Atiraste uma armada,

Laçando a meia espalda,

Meu coração de solteiro!

Já se vão muitos janeiros

Que este laço me segura,

Com amor, carinho e ternura,

Minha Prenda de Formigueiro!

domingo, 12 de agosto de 2018

NO RUFO DAS PATAS

Foto de Giancarlo M. de Moraes

O trote marchado de um gateado oveiro
vencia a estrada já bem conhecida
a alma apressada chegava primeiro
mas não se apressava quando da partida

Lá no horizonte da tarde fria
o sol afagava vagas nuvens ralas
e os sonhos e anseios que o taura trazia
pateavam no peito abrigados no pala

A silhueta do rancho distante surgiu
o taura firmando um galope seguiu
no rufo das patas marcando a cadência

Na boca da noite aquele “oh! de casa”
e a saudade no peito apagando as brasas
com o abraço cinchado da velha querência

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

NO BALANÇO DAS CHINELAS

Já bem na boca da noite,
floreou um tico-tico
e no galpão o Tio Nico,
falou no seu jeito lento:
- Fechem tudo lá pra dentro,
que este canto fora de hora,
é sinal que sem demora,
vai vir um tufão de vento.


A gurizada se olhou,
mostrando certo espanto
e sobre o pelego num banco,
embodocou-se o gato,
parecendo que de fato,
teve o pressentimento,
quando o ronco do vento,
boleou a perna no mato.


Tio Nico coçou a barba,
parecendo-se alheio,
assobiou num floreio
e foi espiar na janela,
depois trancou a tramela,
deu uma atiçada no fogo,
sentou-se quieto de novo,
a balançar a chinela.

Quando ouço fora de hora,
o canto do tico-tico,
imaginando eu fico,
que ele do seu abrigo,
está proseando comigo,
pra que eu tenha tenência
e acreditar na vivência
e no saber dos mais antigos.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

...DO NATAL

Lá de fora o Papai Noel se esquecia
e não ficávamos descontentes,
com um caco ou outro a gente fazia,
nossos brinquedos, nossos presentes.

Uma latinha, uma tábua um carretel,
em potentes carros se transformavam,
enquanto nós os “Papai Noel”,
a nós mesmos nos presenteávamos.

Vida simples de uma pura infância,
sem preconceito, mágoas ou ganância,
passou deixando apenas a saudade.

Embora o Papai Noel lá não fosse,
mesmo uma casca de ovo cheia de doce,
fazia nossa felicidade!

domingo, 24 de setembro de 2017

GAÚCHO ATÉ NO CÉU


Levo bem longe,
a cultura do Rio Grande,
mesmo que ande, a cavalo ou a pé
e tenho orgulho, de ser cria desta pampa,
a minha estampa, lembra a raça de Sepé.

Levo comigo,
as tradições de um povo,
sou sangue novo sem renegar o passado,
andar cantando e usar pilcha me faz bem
e ter alguém, pra um carinho mais chegado.

O meu pala,
tem as cores da bandeira,
e a poeira, desta terra colorada,
uso espora, tal qual um galo de rinha,
e sobre a pinha, uma boina atravessada.

Não tenho ciúmes,
mas frescura não tolero,
sou bem sincero, quando uma prenda me quer,
não sou de briga, vivo alegre e satisfeito,
mas por respeito, na cintura “meus talher”.

Se algum dia,
por força do meu destino,
teatino, ter que vagar por outros rumos,
darei a alma, pra voltar ao velho ninho,
porque sozinho, não fico nem me acostumo.

Quero deixar,
uma herança pra piazada,
que foi herdada, por meu pai e me passou,
de ser gaúcho e defender com unha e dente,
toda esta gente e a terra que me gerou.

Patrão do Céu,
na hora que me chamar,
deixa eu ficar, aí nessa santa paz,
sem tirar, de São Pedro a autoridade,
na Estância da Eternidade, de segundo capataz.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

... DOS MOMENTOS

Foto de Giancarlo M. de Moraes
Uma garoa guasqueada
me chamuscava a garupa
e o vento dando rajadas
mandava o chapéu pra nuca

Antes que a noite chegasse
tinha que bandear o rio
e se acaso não bandeasse
talvez morresse de frio

Convidei meu pingo baio
que num “truvisco” de raio
mostrou raça ali na hora

Tudo na vida se ajeita
é só seguir a receita
num cutucão de esporas


terça-feira, 20 de junho de 2017

ATÉ AMANHÃ!

Foto de Janaína Real de Moraes
Solto a zaina no pasto
findando mais uma jornada
e minhas mãos calejadas
do trabalho e da rotina
que é parte do meu “combate”
se enconcharão para um mate
e acarinhar minha china

No último degrau da escada
o sol desce com sua luz
faço o Sinal da Cruz
na hora da Ave Maria
agradecendo a saúde
pedindo a Deus que me ajude
e me despeço do dia