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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

...DAS TARDINHAS

Foto de Giancarlo M. de Moraes

         No canto da taipa do açude, depois do banho à tardinha, o piá fazia pratear aos últimos raios de sol os lambaris esfomeados.
         O caniço de taquara assobiava ao vento, naquele vai e vem, ao arremessar o anzol iscado, que mal batia n’água e a linha se estendia qual corda de violão.
         Que bichinho esganado e ligeiro! Tinha que estar atento, se não num vup, a isca se ia e quando isto acontecia, o peixe era xingado.
         Uma fina vara de alecrim desfolhada era aonde os já pegos, cuidadosamente iam sendo enfiados, lembrando uma réstia de cebola. Isto começou desde uma vez que os bem-te-vis davam voos rasantes, levando no bico os lambaris que pulavam na grama, assim que o piá atirava pra trás.
         A diversão terminava quando lá das casas gritavam pra ele botar as vacas.
        Ainda com o cabelo molhado, subia a coxilha levando em uma mão o sabão e na outra o caniço, a varinha com os peixes e uma cuia velha com o resto das minhocas que eram atiradas aos pintos no terreiro.
         A pequena “réstia de lambaris” ficava enfiada contra o capim da cozinha até o outro dia cedo para ser limpa por ele e ao longo da manhã, depois de passar na farinha de mandioca, a vó fritar na velha frigideira com a banha bem quente pra torrar bem “os espinhos”.
         Ao meio dia, já mastigando um frito, o piá com um brilho nos olhos, estufava o peito e dizia aos da casa:
         - “Se serve”!


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