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sexta-feira, 31 de maio de 2013

PASSANDO O CONTO

             Um dito muito esperto se achava o tal. Passava a perna nos outros e contava vantagens comentando que tinha nascido para fazer negócios.
             Mas às vezes a ganância e a ambição podem cegar o mais vivaz dos viventes.
         Certo dia se mudou para o mesmo pago dele, um peão com uma bagagem recheada de malandragens, calotes, etc...
           Correu logo a fama do novo morador e nos bolichos, a expectativa de algum dia os dois “vivos” se encontrarem para um negócio.
         O tal de senhor esperto, já vinha se prevenindo para um possível ataque do recém chegado e fazia alguns comentários que com ele o novato não iria tirar farinha.
         Passou-se o tempo. Talvez um ano, quem sabe até mais. Sim, acho que bem mais.
         Numa volteada, o peão procurou o esperto dizendo que tinha que atender uns compromissos e então veio até ele para pedir uns trocos emprestados e como garantia, tinha uma junta de bois mansos, cujo valor cobriria com sobra o dinheiro pedido. Argumentou ainda que veio até ele por indicação dos vizinhos, que ele seria a única pessoa em condições de conceder o empréstimo.
         Depois de uma chaleirada de mate, o esperto foi até o rancho do peão para avaliar a junta de bois. Mesmo vendo que os animais valiam bem mais que os pilas a serem emprestados, desfazia um pouco, o que o outro por ser malandro até que concordava.
           Bueno, o dinheiro foi emprestado e a vizinhança na chuleada pra ver o resultado da negociata.
         O tempo foi passando e como o gado estava em baixa, o esperto procurou o peão a fim de que pagasse logo o dinheiro pedido.
         Mais umas chaleiradas de mate enquanto da negociação, até que o peão, tarimbado em vigarices, não dava trégua para o outro, metendo-lhe conversa e mais conversa.
         O senhor esperto, embebido da ganância, não se deu conta de que foi enrolado pelo peão que assim resolveu sua dívida.
         Convenceu o outro a comprar o gado, já que estava em baixa, mas que breve o preço subiria novamente. Venderia com dez por cento de desconto como se fosse um pequeno juro da dívida.
         O esperto fez as contas mentalmente: “emprestei vinte contos, a junta de bois vale isto, com dez por cento eu lucrarei dois contos, vou aceitar, já que depois quando subir o preço, vendo e terei mais lucro”.
         Continuaram a conversa por mais algumas chaleiradas e o peão sempre metendo conversa e conversa, sentindo que o peixe tinha mordido a isca.
         Apertaram as mão, selando o negócio e o peão pediu então os dezoito contos referente ao pagamento dos bois. O esperto, na ambição de que ganhara dois contos, não se deu conta de que o peão já havia recebido vinte contos lá na vez que pedira o empréstimo. Com um sorriso até que meio falso, fez o pagamento ali na hora.
         No outro dia, o esperto contou a vantagem para a esposa, a qual ele chamava de “mosca tonta”. Ela, pacienciosa escutou e o fez ver que em vez dele ter ganhado dois contos, tinha mesmo entregado ao peão trinta e oito contos.
         O esperto refez as contas, deu um sopapo na mulher e foi em disparada a procura do outro para resgatar o prejuízo, porém o peão já andava mui longe acariciando os pilas na algibeira da bombacha e a tal de junta de bois era de um outro morador que o safado mentiu ser dele.

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