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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

MANDANDO RODA

           
   Essas encrencas de peão com patrão, que hoje em dia ganharam força, particularmente a favor do empregado, fizeram que um conhecido meu, desembolsasse umas patacas para indenizar um vivente que fora seu servidor por alguns anos.
            O peão, desencabeçado por alguns vizinhos recalcados, até por inveja do patrão, não quis conversa em chegar a um acordo e foi dando jeito de procurar seus “dereitos”.
            Arrumou umas testemunhas compradas e foi dar parte do patrão. A dona “justa” não quis saber da versão do patrão e deu ganho de causa ao empregado que meses depois embolsou uma quantia razoável de pilas, que na visão dele, tava mais rico que o ex-patrão.
            Claro que não faltaram "amigos" para se pendurar nele, que deslumbrado, pagava as despesas por ocasião dos encontros em bolichos e surungos. Houve até um, que se valendo do deslumbre do indenizado, ofereceu-lhe uma Rural Willys, mais velha que a certidão de nascimento dele e que passava mais encrencada do que rodando (até se podia considerar um bem imóvel). Mas afinal, convencido de que o veículo era bom, acabou fechando negócio e saiu mandando roda, (quando conseguia fazer “pegar no tranco”).
            Um certo dia, o irmão mais velho, que sabia da indenização mas não sabia da compra, veio para uma visita e até dar uns conselhos de como administrar a nova vida.
             O peão foi faceirito com sua “Ruralete” esperar o mano na parada do ônibus. Deixou a máquina na descida e com as rodas calçadas com pedras e tocos.
            Quando o da cidade desembarcou e se deu com o peão com aquela geringonça fumaceando, perguntou surpreso porque ele andava com uma condução emprestada, já que mesmo sem ter urgência, ele agora tinha posses para comprar uma em melhores condições.
            Nem considerou a mijada, respondeu que não era emprestada, que havia comprado na boca da guaiaca, abraçou o irmão, colocou as malas no banco traseiro, único lugar digno, a não ser o do motorista e depois de umas arranhadas conseguiu engatar a marcha e mandou roda.
            No caminho havia uma descida forte e longa e o proprietário deixou que a “Ruralete” rodasse frouxa na banguela. 
                 Quando terminou a descida ele olhou para o mano e disse:
               -Tu viu? É caco mas o ponteiro do “velocindro” foi no 6.

         




      


  

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