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sexta-feira, 4 de abril de 2014

NOITE DE LUA E VAGALUMES

          Eu não ia solito, a lua andava comigo reluzindo na prata dos aperos. Quando em vez uma coruja ou um quero-quero me traziam de volta ao presente, dando conta de que andejava numa noite sulina, no embalo sonoro das quatro patas do pingo.
         Não levava um rumo certo, apenas encilhei e saí ao léu com uma ânsia de encher os olhos de campo e céu.
         A paisagem que tanto deu guarida às minhas fantasias na infância, mais uma vez me abraçava naquela noite/dia de lua e vagalumes.
         Vagueava absorto naquele encanto campeiro, agora já sem o medinho que sentia nas noites de piá, quando ia na casa de um vizinho “pra mode” levar algum recado, pedir uma cevadura d’erva ou uma xícara de sal em troca de outra coisa, ou até mesmo pra “lorotear” com a gurizada e depois um pouso, espichando a prosa em cochichos até a madrugada.
         No céu as estrelas balizavam o meu caminho sem destino, pois ora eu caminhava em direção a uma, ora em direção a outra.
      Assim andei sem ter noção do tempo, até que atei as rédeas deixando que o instinto do cavalo nos levasse de volta ao rancho.

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