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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

TOPETUDO

Foto própria

         - Desce já daí guri. Quantas “veis” preciso “dizê” que “pêsco” verde “fais” mal? “Óia” o que aconteceu com a “fia” da “cumadre”, não morreu porque não era hora!
       - Pois é, se empanturrou tanto que quase “entroncou”. Eu não sou esganado como ela e não faço mistura. Não precisa tá enchendo o saco.
         - Não me "arresponde" e desce já, ou preciso “apanhá u’a” vara?
         De lombo duro o piá foi descendo lentamente e sorrateiro guardava no bolso algumas frutas inchadas.
      - Vai “vê” se tem água no cocho dos porco e depois apanha “u’a” vassoura pra “barrê” o forno e vai “cortá” “azunha” que já tá igual um tatu. E por “falá” em tatu, não me vá pra escola com o nariz sujo.
         - Tá, e o que mais?
         - Não me "arresponde". Será que.... “Óia”! “Teusirmão” mais “véio” nunca “foru” maroto. Te ajeita senão...
         - Tá bem, já to cansado de ouvir isso.
         - Não me "arresponde" tá cansado e não aprende? “Óia” a vara!
    - Tá aí a diferença minha “fia”, resmungou a vó que debulhava milho. “Co’s” mais moço não havia conversa, a vara pegava logo.Tem que dá mimo mas tem que “sê” mais enérgica. O bate boca só deixa o miúdo cada “veis” mais topetudo.
         - Ah! Mamãe, não venha “querê” “ensiná” o padre a “rezá” missa.
      - Tá bem, depois não adianta “chorá” o leite derramado. To falando porque criei e eduquei tu e teus oito irmão e nunca passei vergonha por vocêis. Também nunca “iscundi” nada do teu pai e as varadas que “levaro” foi um santo remédio. E não me "arresponde"!
         - Esses “véio”...!
         - Tu já “corto” “azunha”?
         Mastigando os pêssegos o guri gritou de longe:
         - Ainda não tive tempo, será que tu não entende?
         - Não me "arresponde", “óia” a vara!

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