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domingo, 15 de março de 2015

PUXÃO DE ORELHA

Tive que ir pra cidade
porque a coisa andava osca
tava escassa a pegada
andava atirado às moscas
me conformando na canha
indo pra o lado do vício
e a conta se espichando
no caderno do bolicho


Cheguei lá de tardezita
procurando um conhecido
ele tinha se mudado
e eu fiquei meio perdido
me arrinconei num banco
na pracinha de brinquedos
mas se tivesse alguns pilas
me ia pro chinaredo


Passei a noite me espiando
sem poder pegar no sono
cedito vaguei nas ruas
qual um cachorro sem dono
cumprimentava as pessoas
não me davam atenção
e pela primeira vez na vida
que rezei uma oração


Pai nosso que está no céu
bendito seja o Teu nome
Senhora Virgem Maria
tenha pena deste homem
Patrão Velho mande alguém
que venha em meu auxílio
pode ser o Jesus Cristo
que como eu é Teu filho


Eu até me arrepio
porque o Pai do Céu me ouviu
daquele dia em diante
um bom serviço surgiu
cama, mesa e boa pilcha
ia me arribando aos poucos
dava pra pagar os bicos
e ainda sobrava uns trocos


Trabalho honestamente
tomei jeito e consciência
larguei do vício e da farra
vim visitar a querência
trouxe a china na garupa
que me tapa de carinho
a guaiaca recheada
e num petiço o piazinho


Tenho muito a agradecer
ao nosso Patrão do Céu
elevo meu pensamento
bem arriba do chapéu
nada é acaso na vida
tudo tem razão de ser
se Ele puxou minha orelha
foi só pra eu entender

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