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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O SONHO DO VENTO

Foto própria


      O vento calmo do fim da tarde convidou a taquareira pra dançar. Preguiçosamente seus cabelos se balançaram perdidos no compasso de uma dança lenta e de uma música surda.
      Um bando de pássaros, hóspedes da noite, chegou num grande alarido para ocupar as “suítes”, sem perceber que atrapalhava o clima romântico vespertino.
      Com isso, num repente, o vento irritado soprou mais forte, a cabeleira tornou-se esvoaçante e mesmo contrariada, a dança continuou num novo ritmo.
      O sol retirou-se do “salão”, dando lugar à lua que com sua delicadeza e luz de prata, vagarosamente foi deixando as nuvens para que os dançarinos voltassem praquele sonho romântico.
      O vento ignorando a bondade da lua extravasou sua ira em rajadas mais fortes, trazendo pesadas nuvens escuras e carregadas, dando fim ao sonho que não chegou a ser sonho, sem que a convidada tivesse culpa.
     

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

EU POR MIM


Sou descendente de campeiros
e de chinocas valorosas,
criado nos galpões de prosas,
com humildade e obediência
e este jeito carrancudo e meio rude,
não faz que eu mude a bondade da alma,
nem perca a calma ou o rumo da querência.

Se fui criado lá fora,
não quer dizer que sou grosso
e o lenço no meu pescoço
até hoje estou usando.
Não interessa a cor que nele eu trago,
amo meu pago e para mim não faz sentido,
ver inimigo em maragato ou chimango.