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sexta-feira, 12 de julho de 2019

MINHA PÁTRIA SULINA

Foto de Paloma

Quando um laço corta o espaço
no entrevero de um rodeio
é o Rio Grande num floreio
se espichando qual baraço
e sai na força do braço
relembrando as campereadas
se abrindo numa armada
pra mais um tiro seguro
deste pago pelo duro
orgulho da gauchada

Laça a prenda laça o peão
gurizada e veteranos
todos dão mostra do pano
numa grande comunhão
na parceria de irmãos
cangados por um ideal
tendo no ponto cardeal
a mesma direção
a conduzir a tradição
de um Rio Grande bem bagual

Lenços brancos e colorados
e chapéus tapeados ao vento
és Tu Rio Grande pacholento
unido na tradição
onde o teu coração
pulsiona o sangue farroupilha
pra seguir na mesma trilha
dos que nos antecederam
e que por Ti muitos morreram
peleando em Tuas coxilhas

Pra Ti minha Pátria Sulina
rendo mais uma homenagem
e não me falta coragem
pra dizer com esta rima
que a Providência Divina
no seu sábio catecismo
instituiu o Teu batismo
pra teres a identidade
Liberdade Igualdade Humanidade
bravura e gauchismo

segunda-feira, 24 de junho de 2019

SINA CAMPEIRA

Foto própria

Depois de acertar as contas
dos tantos anos de lida
a porteira se abriu
permitindo-lhe a partida

Nos olhos veio a poeira
numa triste  despedida
e é claro que um peão chora
se a alma parte sentida

Novos rumos pra seguir
e um incerto porvir
em sua sina campeira

Conta com a sorte nos tentos
e a confiança que São Bento
lhe abrirá nova porteira

segunda-feira, 17 de junho de 2019

M E D I T A Ç Ã O

Foto de Janaína Real de Moraes. 



Quando a vontade te deixar de lado
e o tédio te fizer revoltado
busques a fé com uma oração
quando a ânsia prender tua fala
e tua perna chamar a bengala
segures firme confiando na mão

Quando sentires o peso da idade
e a mala gorda de tanta saudade
não te enclausures e fiques paciente
quando a tristeza quiser teu olhar
e a fraqueza quiser teu andar
redobres a força e toques em frente

Quando o pensamento errar o caminho
e a solidão rondar o teu ninho
lembres Daquele que ama os filhos teus
quando a alegria te trouxer a calma
leves a pureza pra dentro da alma
e agradeças as bênçãos e a força de Deus

segunda-feira, 3 de junho de 2019

NO SUL DO MEU MUNDO

Desenho no paint brusch do windows.

As folhas foram aos pouco
se despencando dos galhos
no galpão o pai-de-fogo
se renovou no borralho
é o sintoma do outono
e  prenúncio da invernia
deixando as noites compridas
pra que se encolham os dias

As nuvens de pala cinza
chegam gordas de água fria
e o Minuano entre as casas
notas geladas assobia
chega também o Campeiro
com seu sopro de arrepio
a criação se enrosca
tremendo e “grune” de frio

Nas várzeas um esbanjar d’água
nas coxilhas aragem  fria
o sol vai dormir mais cedo
a lua se arrepia
e as estrelas ficam longe
dum inverno rigoroso
que o gado arrepia o pelo
e o campo branqueia o toso

E aqui no Sul do Meu Mundo
bem onde vem dormir o sol
a geada branqueia tudo
cobrindo com seu lençol
o taura porém resiste
seu pala aguenta o repuxo
pois pra viver nestas plagas
só mesmo sendo gaúcho

quinta-feira, 30 de maio de 2019

BOA MÃO


        
    Um vizinho lá de fora, longe de ser mentiroso, sempre dizia que ninguém tinha a mão tão boa como ele para plantar, podar e coisas do gênero.
            Toda vez que se entrava no assunto, ele tomava a palavra e tentava convencer aos demais do seu poderoso dom.
            Certa feita, numa roda de prosa, veio mais uma vez o assunto e quando ele se manifestou lhe foi pedido que desse algum exemplo ou mostrasse onde havia a prova “dalgum” feito seu, neste sentido.
            Sem fazer rodeio, logo se saiu com esta:
            - Aquela roseira que tem em frente da igreja enroscada na árvore, fui eu que plantei. Era apenas um pequeno galho que enterrei lá junto com um cabo de vassoura o qual também brotou e é justamente a árvore onde a roseira está enroscada.
            Doutra feita contou que levou para casa um pequeno galho lascado de uma árvore que existia na praça da cidade. Chegando em casa já tarde da noite e com medo do galho não resistir até o outro dia, resolveu enterrá-lo de noite, colocando bastante água, só que na pressa e no escuro, enterrou o galho com a ponta de cima para baixo.
            Cheio de afazeres, esqueceu da planta, só lembrando após dois meses quando numa noite choveu. Deixou amanhecer e ansioso foi no fundo do terreiro e lá estava o galho com as raízes espalhadas por cima da terra.
            Afirma ele com certeza, que as folhas devem estar “verdinhas” embaixo do chão.
            Para ilustrar outra façanha, anda mostrando esta foto como prova.


terça-feira, 28 de maio de 2019

... DA INFÂNCIA

Foto de Giancarlo M. de Moraes.

Quero lembrar do meu tempo,
quando morava lá fora,
mais que ansioso espero a hora,
para ouvir os quero-queros,
gritando lá no potreiro
e comer rapa de carreteiro,
feito em panela de ferro.

Quero brincar de mangueira,
na raiz daquele umbu,
onde este pequeno xiru,
se achava o rei do gado.
Quero quebrar a quietude,
“alvorotando” o açude,
num baita banho pelado!

Quero melar lixiguana,
abelha e camoatim.
Quero subir no cupim,
que foi parceiro discreto,
quando dava um alce a lida,
em aventuras proibidas,
num lugarzito secreto.

Quero pescar de caniço,
na sanguinha da divisa,
onde usei a camisa,
improvisando uma rede
e depois do arrastão,
juntei as conchas das mãos,
cheias “d‘água” pra minha sede.

Quero montar a cavalo,
naquele gateado meu,
pra mostar que ainda sou eu,
num tiro de quadra e meia,
depois voltar pra ramada,
com a tala bater espada,
arremedando uma peleia.

Quero fazer outras lidas,
que não dá pra ser agora,
mas quando chegar lá fora,
na querência onde nasci,
quero esquecer a cidade,
varrer pra longe a saudade
e de novo ser guri!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

CAVALGADORES

Na pessoa deste parceiro JORGE LUIZ LARANJEIRA, homenageio a todos da lida. (Serra do Corvo Branco - SC).

                                                       
Se confundem com centauros
nas canhadas e nas coxilhas
pelas estradas e trilhas
no lombo do “nobre amigo”
levando sempre consigo
o amor pelo Rio Grande
pelos confins onde andem
nunca lhes negam abrigo

Camaradagem e parceria
sempre levam nos peçuelos
não tem de raça e nem pelo
todos são iguais na tropa
do chapéu até a bota
e do rabicho ao buçal
o homem e o animal
solícitos seguem a rota

Reverenciando heróis
ou fatos de nossa história
cumprem sua trajetória
semeando amizade
na campanha ou na cidade
são aclamados pelo povo
sendo velho ou sendo novo
tradição não tem idade

Que estes homens centauros
não desistam desta lida
isto faz parte da vida
é um vício bom e acalma
o seu ego bate palma
pois do Rio Grande és vassalo
levando ele a cavalo
com toda a força da alma