Da infância, sempre nos vem recordações, e transcrevo esta relembrada há poucos dias, quando reencontrei um "guri", parceiro de tantas outras.
Fazia parte de nossas brincadeiras as carreiras, tanto a cavalo quanto a pé. Estas levadas com muito afinco pela gurizada, que às vezes, até os adultos se achegavam para o comércio.
Uma cancha reta, ao longo do arvoredo, onde desfilavam e corriam nossos parilheiros de taquara.
Certa feita, mais uma grande carreirada estava marcada e então sugeri para um dos guris (o tal que reencontrei), de impressionar no dia, apresentando, cada um, um novo parilheiro. Para isso, iríamos em uma tapera que não ficava perto e estava difícil o acesso, tendo em vista a capoeira onde tinha, muito espinho, marimbondos, cobras e uma sanga barrancosa para passar.
O motivo da ida foi porque lá havia uma espécie de taquara que a gente conhecia como Taquara do Reino. Era fina e com um verniz natural, que para nós, seria um parilheiro delgaçado, pelo fino e brilhoso, em consequência, mais corredor, na nossa avaliação e batizados por "FINÓRIOS".
Pois bem, no sábado que antecedia a carreira, após o almoço, hora da sesteada dos velhos, o sol tinia de quente. O guri pegou um facãozito, colocou na cintura e furtivamente deixamos as casas.
Quase uma hora de caminhada chegamos na tapera, suados e arranhados.
Mais meia hora rodeando o taquaral na escolha do melhor cavalo, até que satisfeitos iniciamos a maratona de volta.
Quando saímos da capoeira e entramos na estada, o guri ia um pouco mais à minha frente, então montei no meu parilheiro e disse pra ele que fosse largando.
O desafio foi aceito e ele também montou e mandou pata. Como eu tinha mais velocidade, em seguida passei por ele, porém não ouvi o bate patas dele.
Num relance, dei uma olhada para trás e vi que ele tinha "apeiado" e tava picando em pedaços a taquara e espraguejando em voz alta:
- Esta "porquera" também não presta.
Procuramos uma sombra para sentar e rolar de tanto rir.
