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segunda-feira, 11 de maio de 2026

TÁ DIFÍCIL

Um dia destes pensei em voltar pros rodeios

mas estou sem cavalo e mal de arreio

tenho rédeas e cabeçada  faltando o freio

e um toco de soiteira no cabo do "reio"


E nesta situação eu me vejo feio

de ter que laçar num cavalo alheio

até fica ruim de fazer um floreio

e correr o risco de um baita enleio


Ando mal da coluna e manco de um "jueio"

tenho que me cuidar quando me alço ou me apeio

e assim eu sinto um certo receio

de levar rodada e me quebrar no meio


Vejam a que ponto chega um vivente

quando a idade avança e o corpo sente

são poucas as coisas que ele concente

e muitos prazeres ficam só na mente


Então achei melhor esquecer o anseio

e passar o tempo nos saracoteios

mas no pensamento logo me veio

que eu danço pouco e sou muito feio


sexta-feira, 3 de abril de 2026

CAVALO FINÓRIO

Da infância,  sempre nos vem recordações, e transcrevo esta relembrada há poucos dias, quando reencontrei um "guri", parceiro de tantas outras.

Fazia parte de nossas brincadeiras as carreiras, tanto a cavalo quanto a pé. Estas levadas com muito afinco pela gurizada, que às vezes, até os adultos se achegavam para o comércio. 

Uma cancha reta, ao longo do arvoredo, onde desfilavam e corriam nossos parilheiros de taquara.

Certa feita, mais uma grande carreirada estava marcada e  então sugeri para um dos guris (o tal que reencontrei), de impressionar no dia, apresentando, cada um, um novo parilheiro. Para isso, iríamos em uma tapera que não ficava perto e estava difícil o acesso, tendo em vista a capoeira onde tinha, muito espinho, marimbondos, cobras e uma sanga barrancosa para passar.

O motivo da ida foi porque lá havia uma espécie de taquara que a gente conhecia como Taquara do Reino. Era fina e com um verniz natural, que para nós, seria um parilheiro delgaçado, pelo fino e brilhoso, em consequência, mais corredor, na nossa avaliação e batizados por  "FINÓRIOS".

Pois bem, no sábado que antecedia a carreira, após o almoço, hora da sesteada dos velhos, o sol tinia de quente. O guri pegou um facãozito, colocou na cintura e furtivamente deixamos as casas.

Quase uma hora de caminhada chegamos na tapera, suados e arranhados.

Mais meia hora rodeando o taquaral na escolha do melhor cavalo, até que satisfeitos iniciamos a maratona de volta.

Quando saímos da capoeira e entramos na estada, o guri ia um pouco mais à minha frente, então montei no meu parilheiro e disse pra ele que fosse largando.

O desafio foi aceito e ele também montou e mandou pata. Como eu tinha mais velocidade, em seguida passei por ele, porém não ouvi o bate patas dele.

Num relance, dei uma olhada para trás e vi que ele tinha "apeiado" e tava picando em pedaços a taquara e espraguejando em voz alta:

- Esta "porquera" também não presta.

Procuramos uma sombra para sentar e rolar de tanto rir.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

DE SAUDADE E MATE


Esta saudade enfurnada no meu peito

não toma jeito e cada dia mais me abate

tira meu sono e passo o tempo abichornado

e consolado na parceria de um mate


O dia a dia perde parte do seu brilho

então encilho novamente o chimarrão 

e num momento de silêncio e de calma

proseia a alma confortando o coração 


Um dia destes me boleio lá pra fora

mando embora a saudade que me abate

e no galpão juntito ao pé do fogo 

busco de novo a parceria de um mate

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

MAS VIERAM OS MOTORES

 

Na manivela do poço

a corda ia se enrolando 

e lentamente subia

o balde transbordando 


Água para a cozinha

e para a sede do pessoal

pra outras lidas e criação 

vinha lá do manancial


Uma pipa barriguda

tracionada por petiço

quase já se aposentando 

por seu tempo de serviço 


Mas vieram os motores

mais rápidos que a manivela

e o petiço e a pipa

se aposentaram com ela