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quarta-feira, 3 de abril de 2013

SONHO DE UM GURI

Foto de Giancarlo M. de Moraes
 
Assim que se viu taludo,
quis se mandar pelo mundo,
não pra ser mais um vagabundo,
andar sujo e melenudo.
Seu desejo era saber tudo,
sobre o que pode um vivente,
se misturar noutra gente,
matar a curiosidade
e ser um homem de verdade,
sem renegar a vertente.
 
Encilhou o baio ruano,
que saiu mascando o freio,
pra alimentar seus anseios,
com pinta de um veterano.
Acompanhando o Minuano,
batia cascos solito,
fumaceando um longo pito,
igual o avô fazia
e na imaginação ouvia,
a ânsia lhe dando gritos.
 
Partiu com o aval do pai
e da sua mãe o soluço,
porém o forte aguço,
lá dentro dizia: vai,
só quem é fraco não sai.
Então ouvindo o consciente,
com sonhos de adolescente,
rumou ao desconhecido,
buscando da vida o sentido,
que palpitava na mente.
..................................................
 
A vida lhe deu essências,
como sonhou o guri,
andou daqui para li,
acumulou experiência.
Com o fardo da vivência,
e muitos anos na anca,
um dia surgiu a estampa,
mascando reminiscências,
na porteira da querência,
um senhor de barba branca.


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