Foto de Carlos Alberto Tatsch |
Melena ruiva e barbudo,
mas bueno de serviço,
muito zelo e capricho
em tudo o que fazia.
Sempre no clarear do dia
era o primeiro que pulava,
chimarrão e café tomava
e num trotezito saía.
Moço de pouca conversa,
porém honesto e franco
e numa lida de campo,
desdobrava-se bonito,
curava uma rês solito
num rosilho cinchador,
tendo o pai por professor,
deu mui bueno o rapazito.
Manejava uma tesoura
com manhas de tosador
e cismas de domador
no lombo de um aporreado.
Montava por qualquer lado,
trançava com perfeição,
e na volta de um fogão
dava conta do recado.
Trabalhava na fazenda
já fazia algum tempo.
Tudo ia a contento,
não fosse o coração,
envolver-se numa paixão,
que apesar de proibida,
também era correspondida
pela filha do patrão.
O rapaz na sua franqueza,
sentia que estava errado
e andava abichornado
com aquela situação,
pra ele era uma traição,
com quem lhe dera confiança,
já não era mais criança
e foi falar ao patrão.
O patrão lhe recebeu
estando a patroa junto,
quando souberam do assunto
revoltaram-se na hora.
Botaram-lhe porta à fora,
sem pagar nenhum direito
e com um aperto no peito,
sem o amor foi embora.
Seria forte o motivo
para aquela decisão,
largar assim o peão
sem antes falar com a filha?
Ao rapaz boa família,
pelo menos um adeus!
Terá o perdão de Deus,
quem despreza e humilha?
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