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terça-feira, 28 de maio de 2013

LÓGICA EQUINA

         O patrão era acostumado a encilhar o cavalo e a conversar com ele, durante a encilha e a lida.
         Um certo dia, se atrasou e pediu a um peão que era meio “estabanado” para encilhar. Na pressa, o cavalo foi encilhado e o patrão, que por sinal pesava lá seus cento e poucos quilos, alçou a perna e saiu pra lida.
         Já havia andado um bom trecho, quando voltou à calma e se deu conta de que não tinha conversado com o animal, que por sua vez também só balbuciava uns resmungos por entre os dentes.
         O patrão então deu um tapa de leve na tábua do pescoço do cavalo e após cumprimentar, perguntou o que tava acontecendo e qual o motivo dos resmungos. A resposta foi só resmungos. O diálogo parou por aí, já que o cavaleiro tinha o pavio meio curto e o cavalo sabia.
         De volta pras casas, chegou a hora da desencilha e o patrão perguntou ao cavalo se já tinha passado a crise de “emburramento” e só ouviu resmungos por entre os dentes.
         O patrão estourou e disse que não falaria mais com ele, pois que fosse curtir seu mau humor onde bem quisesse.
         Ao se ver só com o bucal, o cavalo pediu licença e disse ao patrão:

         - Eu não estou mal humorado. Só quero dizer que se colocassem um freio por baixo de sua língua, com a barbela bem apertada e mais cento e cinquenta quilos no lombo, o senhor iria corcovear na hora que alguém botasse a bunda no arreio!

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