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sexta-feira, 13 de abril de 2012

...DAS COMPRAS

Com os pilas da colheita,
saldei a conta da venda.
Comprei vestido pra prenda
e uma lata de pó “Lady”,
bombacha para o guri
e pra mim uma brilhantina,
meia de cangibrina
e um maço de “Liberty”.


Comprei um pacote de “fósfro”

e querosene pra o lampião,
erva pra o chimarrão
e pó de café Visita,
um lápis para as escritas,
dois pacotes de velas
e umas cascas de canela,
pra temperar a canjica.


A mala velha estufada,

já não cabia mais nada,
quando disse o bolicheiro
leva de brinde parceiro,
um maço de tijolinho,
esta garrafa de vinho
e uma água de cheiro.


Cheguei faceiro no rancho,

sem dever nada na venda,
avistei a minha prenda,
na moldura da janela.
O piá correu na cancela,
pra um beijo e um abraço
é assim que sempre faço,
quando a saudade atropela.

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